Abrindo o livro

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Todos nós temos histórias a serem contadas.
Certas pessoas precisam desesperadamente ligar para a melhor amiga e contar como foi o encontro com aquele cara incrível que acabara de conhecer, detalhe por detalhe - esse tema pode levar horas, talvez mais tempo do que se a amiga visse em tempo real - com direito a flashbacks e cenas em camera lenta, sendo muito importante descrever cada sorriso e posição exata do ângulo da boca e dos olhos... Outras contam aos filhos, ou netos, sobre os heróis da família, alguns usam a imaginação criando contos maravilhosos que nos fazem sonhar... Todos nós guardamos algo para ser dividido.

Por que eu escrevo?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Por que eu escrevo?

Qual o sentido de tudo isso, essa exposição de sentimentos e nudismo da alma, a transparência e o desprovimento de segredos, que me deixam a mira de todos os olhos, de braços abertos para levar um tiro de uma crítica negativa? Eu abaixo toda a minha guarda e me escancaro ao mundo a troco de quê?

Blogagem coletiva: Amamentação (Hungria)

terça-feira, 19 de abril de 2011

A amamentação é um momento muito íntimo entre a mãe e o bebê, por isso por cada mãe é vivido de uma maneira diferente. Cada mãe tem um motivo por amamentar ou não e a única certeza é que todas tomam a decisão com base no grande amor que sentem pelo seu bebê. Toda decisão vinda do coração é uma decisão certa. As emoções e momentos que vou descrever são exclusivamente meus, podendo coincidir ou divergir de outros.
Para mim a amamentação foi um momento esperado com grande ansiedade, eu desde o começo da gravidez sonhava em alimentar meu nenê e já tinha milhares de expectativas.
Assim que meu primeiro filho, Zsombor, nasceu não pude logo colocá-lo no peito, como em um dos meus planos. Eu planejava tê-lo de parto natural e logo depois colocá-lo no peito, mas deu uma cesária - sou pequena e por isso ele não conseguiria vir naturalmente - e não o peguei no colo até o dia seguinte.- Aqui na Hungria eles dão grande importância ao parto natural e é possível tentar amamentar logo depois do parto.- Fui para um quarto de observação, longe do berçário, - na época ainda era ssim, hoje em dia o período de observação é na própria ala de maternidade - só podendo ver meu bebê 2 vezes  durante o dia todo e na visita breve de 15 minutos, que mais me pareceu 1, de tão rápido, ele não pegou meu peito. Fiquei muito decepcionada e sem saber o que faria com todas aquelas expectativas vivas em mim...

O momento perfeito.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quando pensei em recomeçar a escrever o livro que deixei de lado há tantos anos, logo veio à minha cabeça a correria do dia-a-dia, meu tempo com as crianças, com meu marido, os textos do blog e mais um turbilhão de coisas girando sem deixar espaço, ou chance de sair sem ser atirada longe.
Há anos comecei um livro sobre mim e os meus sonhos deixando de ser apenas sonhos para se tornarem realidade. Mas naquela época eu não parava para escrever e depois de um tempo o abandonei completamente. Eu não tinha tempo porque ainda estava desenvolvendo minha história, ainda estava lutando pelo famoso "final feliz". Era saudade dos pais e família, adaptação a uma nova cultura, uma língua terrivelmente difícil para aprender, vistos que duravam todo o verão para serem feitos, com a ameaça terrorista implícita de nos separar, muitos pesadelos e obstáculos... ainda tinha que prestar muita atenção no desenrolar de tudo o que acontecia. Como poderia eu criar um livro enquanto passavam cenas decisivas dele?

A escolha.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

                Viver em outro país é uma experiência extremamente fascinante para uns, ou incrivelmente triste para outros. Mas ser feliz ou triste, na minha opinião, é uma questão de escolha.
                Eu escolhi ser feliz e encarei, desde o começo, tudo como se fossem todos os meus sonhos se realizando, decidi ver sempre um "copo meio cheio" à minha frente e enxergar todas as belezas do país que viria a ser minha nova casa.
                Maravilhei cada novidade daqui, a temperatura maluca, que sobe e desce, a neve, as flores, o calor seco e verde da vegetação do verão, a volta do frio repentino com tons de vermelho, amarelo, marrom e roxo, que passaram a ser minhas cores preferidas, desde que vi o outono colorido... a culinária, tendo como seu tempero básico a páprica, pimenta e o bacon, tudo com um gosto característico de Hungria, até mesmo um prato tão universal como a pizza se torna mais húngara... a calma das ruas durante o dia, o alvoroço da noite, já que moro em numa cidade cheia de universitários e perto do centro, as festas vão de segunda a segunda... o jeito reservado do húngaro, que fica tão aberto quando bebe, com direito a declaração de amor e abraços- bom, isso talvez seja universal entre os homens- sua receptividade com relação a mim... Poderia encher páginas e mais páginas de coisas que amo aqui, mas isso são meus olhos e minha decisão de ser feliz.

Dias de lua virada.

sexta-feira, 1 de abril de 2011


                Que canseira louca! A casa uma bagunça, um texto a ser escrito e os meninos correndo a minha volta, gritando, brigando, saltando de lugares altos, num dia daqueles que a lua virou do avesso deixando as crianças todas enlouquecidas.
                Tem certos dias,  e eu ainda não achei explicação para o fenômeno, que as crianças ficam incontroláveis. E não uma ou duas... todas! Eu os chamo de "dia de lua virada". Foi a explicação mais próxima, tendo analisado todas as outras possibilidades populares, com base nos meus dois filhos de quatro e dois anos.

Obra prima da lembrança.

sexta-feira, 25 de março de 2011

   Semana passada fizemos uma viagem de quatro dias, eu, Zsombor e os meninos.
   Aproveitei esse tempo para gravar algumas imagens em minhas lembranças. Tenho essa mania, sempre que posso, principalmente com relação aos meninos, tento gravar coisas pra mim mesma. Não são coisas que se possa gravar com uma câmera, gosto de enxergar as peculiaridades de cada um, gravar o cheiro e a sensação do momento, colocar tudo em uma caixinha pra poder pegar em outra ocasião e olhar novamente, como uma foto 3D, que além das imagens, mostram-me sentimentos.
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