Eu e o Clube das mães e pais blogueiros.

domingo, 28 de agosto de 2011

Essa semana não saiu o texto da sexta-feira, sim, erro, eu sei. Sei que tem gente que foi procurar e não achou e estou aqui torcendo para que voltem a procurar, pois não desisti do meu blog, é aqui que descarrego minhas emoções e é assim que vai continuar, meu cantinho do desabafo...

O motivo da falta de texto e de tempo é que eu estou abrindo um outro site, junto com minha amiga Daniela, o Clube das mães e pais blogueiros.

O Clube é um projeto que está se tornando realidade nessa semana, mas que vem nos dando trabalho já há um bom tempo. Foram muitas pesquisas, planejamentos, estudos, dúvidas em como resolver isso ou aquilo, aperto no coração, horas de sono perdidas, coração disparando, entusiasmo...
Nosso Clube é feito especialmente para mães e pais que tem blogs, pois queríamos muito crescer e ajudar outras pessoas no crescimento também. Vindo do princípio que pais e mães se preocupam com o futuro de seus filhos e, por consequência, o do mundo também, criamos esse espaço para trocas de informação e experiências, visando um aprendizado em conjunto.
Desde que entrei para esse grupo de "blogueira", venho aprendendo muita coisa. Aqui as pessoas crescem se ajudando, não pisando na cabeça um do outro. Você não ganha ponto com outros blogs tentando acabar com seu concorrente e sim lendo e comentando o que eles escrevem, não se trata de concorrência e sim de amparo. Você comenta, lê, indica e da mesma forma é indicado, aqui reina a simpatia e o jogo limpo. Não seria legal se o ser humano se inspirasse nesse novo mundo da internet para fazer todo o resto também? Não seria possível finalmente crescer com a paz e não a guerra? De repente me deparo com uma comunidade que dá certo, um sistema que funciona baseado em fazer o bem ao outro, mesmo que esse bem seja um recadinho simples de "Gostei do seu post.". Eu comecei a escrever esperando críticas e competitividade de pessoas, dizendo que eu não escrevo tão bem quanto elas, por exemplo, mas foi porque eu não conhecia esse mundo.
E é por esse mundo que estamos nos reunindo e ficando mais fortes. Posso não conseguir salvá-lo, mas estou fazendo minha parte, juntando-me e dando força ao que acredito ser bom. Por que passar pela vida de forma indiferente, se posso "bater uma asa" aqui e mudar a opinião de alguém na China? Quero ampliar meus horizontes e quero que minhas palavras encontrem pessoas que fazem diferença, mostrar esse jeito de pensar, essa atitude, um sorriso pela manhã ao invés de um grito com o filho...
E você, quer fazer parte do nosso Clube? Venha nos visitar: http://maesepaisblogueiros.com/. Aqui quem cresce são os pais!
"A mão que balança o berço é a mesma que governa o mundo" W R Wallace.

MEU Pai

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A palavra "pai" desperta muitos sentimentos diferentes de pessoa para pessoa, pois tem vários tipos de pais, os que são presentes, os que são ausentes, os rígidos, os que são amigos, os certinhos e os atrapalhados... Um pouco atrasada, vou falar do MEU. E a primeira coisa a dizer é que sei que ele não vai se importar de ler isso somente uma semana depois do dia dos pais.
Semana passada liguei pelo skype para dizer-lhe feliz dia dos pais e lhe disse assim, simples, com entusiasmo e carinho, mas simples: "Feliz dia dos pais!". Senti que não foi tudo o que eu gostaria de lhe dizer, mas sou melhor com palavras escritas do que faladas. Se eu tentasse falar sobre meu amor por ele e a gratidão que tenho por ser sua filha, eu iria chorar e não sairia muita coisa. Para completar, foi ele quem me fez uma declaração, falou que meus textos são lindos, que os emociona... para isso também não respondi muita coisa, ficou entalado na minha garganta, enroscou no nó e não saiu nada, não saiu nem o "Eu te amo", muito menos todo o resto que ficou lá dentro: meu coração que batia apressado, as lágrimas que se escondiam fazendo força para não sair, minha mão que tremia, a saudade e a vontade de abraçá-lo...
Registro aqui em palavras então, que muitas vezes o que eu demonstro é a pontinha do "iceberg" de sentimentos que se esconde em mim.
Meu pai quando eu era criança: Ele era aquele por quem eu tinha adoração, que eu vivia pendurada no pescoço, que se trancava com a gente no quarto e ficava brincando, contando estórias e nos fazendo rir muito com as vozes que fazia imitando cada personagem... No sítio da minha avó soltávamos pipa, pulávamos corda, pescávamos... Era meu pai barbudo. Eu devia ser muito pequena, porque nem lembro de meu irmão por perto quando aconteceu, mas lembro-me de ter ficado muito zangada com ele por ter cortado sua barba, não queria que ele chegasse perto de mim, queria meu pai barbudo... Crianças podem ser crueis. Lembro-me claramente da revolta por ele ter tirado a barba que eu gostava tanto... E ele tentava me convencer que ele era o mesmo, com um leve sorriso, pois estava achando engraçado eu gostar tanto da barba.
Meu pai na adolescência: Continuava sendo aquele em quem eu me pendurava no pescoço, porém com muitas brigas nos intervalos. Como pai coruja, era difícil convencê-lo de que eu precisaria ir a discoteca, paquerar, namorar... Meu gênio de adolescente já batia um pouco com o dele. Mas ele tinha toda a razão, hoje eu vejo, ele não era quadrado, ele me ajudou a chegar aqui. Eu aproveitei bem discotecas e saídas com amigas, apenas o fiz com moderação e muita bajulação para conseguir um sim... O que mais me impressiona é que ele disse "não" muitas vezes, para muitas coisas, em geral o que não tinha importância para meu futuro, mas conseguiu enxergar atravéz do meu coração quando realmente precisei de um "sim". Quando muitos pais mais liberais que o meu diriam "não", quando pedi para vir para a Hungria com um cara que conheci há um mês e muitos diziam a ele que era loucura deixar a filha ir, ele sabia, ele tinha certeza do seu sim, ele enxergou nos meus olhos e sentiu que era o certo. E era mesmo, graças a ele, eu hoje sou muito feliz e tenho a certeza que encontrei a metade que me faltava. Ele soube me guardar e cuidar, para entregar nas mãos da pessoa certa. Eu só espero enxergar através dos olhos dos meus filhos da mesma maneira, quando chegar essa hora.
Meu pai de sempre: Ele é uma pessoa justa, honesta, que preferiu muitas vezes lutar a pegar o caminho mais curto fazendo o que era errado. Nos deu exemplos de como uma pessoa deve agir e vencer sendo admirado pelas pessoas e não pisando nelas. Lutou muito na vida desde sua infância de menino pobre - que tem histórias que nos faz rir muito, mas que sei que na realidade não foram tão engraçadas - até chegar onde está hoje, respeitado e com muitos amigos. Um pai que é a imagem que olhamos quando pensamos no que seria a coisa certa para se fazer.
Meu pai, eu poderia escrever um livro sobre você, quem sabe você deva escrevê-lo, não é mesmo? Já que esse também é um dom que você tem.
Vou terminar escrevendo o que eu deveria ter dito na semana passada: Obrigada por tudo. Pela imagem de homem de bem, pelo zelo e sabedoria na hora de nos dizer "não", pelo carinho e muitos risos que nos proporcionou sempre, pelo amor que sempre deixou claro, por ser tão presente e indispensável a nossas vidas. Te amo muito e só estou aqui e feliz por você ter sido MEU PAI.
Feliz dia dos pais, mais uma vez.

Comentando a vida

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Escrevi muitas vezes sobre a força que os comentários tem sobre mim, mas creio não ter deixado tão claro a importância de cada linha que me escrevem.
Quando criei esse blog, o primeiro blog da minha vida, eu não sabia o que esperar, nem ao menos costumava ler outros blogs. Ao criá-lo, não pensei em elogios ou apoio, eu precisava de uma maneira de medir minha escrita e críticas para melhorá-la, era "o começo". Seria minha escrita realmente boa o suficiente para que alguém perdesse tempo com alguma história que eu escrevo? Na verdade não acreditei no crescimento do meu blog, achei que receberia alguns elogios da família e algumas críticas do resto do mundo, pela prepotência de achar que escrevo bem, mas que meu público ia ficar naquilo.
Logo que publiquei meus primeiros posts fui surpreendida. Eu realmente estava recebendo elogios da família, mas isso incluia pessoas que eu não via há muito tempo, pessoas que eu não tenho idéia como descobriram meu blog e que me relacionaram ao meu avô. Meu avô era um poeta e contador de estórias, entre outras milhares de coisas que fazia muito bem, como domar cavalos, por exemplo. Ele tinha uma compreensão diferente dos acontecimentos e das pessoas, a pesar de não ter escolaridade, era um sábio e sempre que falava, todos paravam para ouví-lo, pois realmente valia a pena. Jamais tive a ousadia de me comparar com ele, a não ser pelo enorme amor pela família que eu, assim como ele, tenho e preservo. Ler em comentários essa comparação foi, com certeza, um momento alto em minha vida, uma revelação de uma centelha - mesmo que muito pequena - dele que brilha em mim. Senti a presença dele em meu ser, em alguns gestos e fundamentos das minhas reflexões. Isso fez-me pensar na minha vida pelo ponto de vista dele, o que ele diria da minha história e foi aí que escrevi "Domadora de cavalos". Esse título foi inspirado nele, que tinha orgulho de dizer que foi tropeiro e domador dos melhores, batendo no peito e mostrando sua força em plenos 80 anos de idade. Homem forte que nunca se abateu e que fez exercícios até seu último dia de vida, jamais admitindo ficar doente de cama. Meu avô tinha uma sabedoria e compreensão de vida tão grandes que escolheu a hora de morrer e apagou sem dor, quando achou que era a hora, nos braços da minha avó, como ele mesmo havia previsto que seria.
Meu irmão escreveu-me o melhor parabéns da minha vida no aniversário desse ano, quando escrevi um post de aniversário para nós dois, que temos as datas muito próximas e declarar tudo o que eu deveria ter sempre dito milhares de vezes a ele, mas que o dia a dia acaba apagando da lista de  afazeres. Meus pais declararam seu orgulho por mim mais que nunca, não que eles não o fizessem sempre, mas agora recebo um carinho deles a cada semana e vê-los emocionados com minha declaração ao meu irmão e sua resposta depois foi um presente que o blog me proporcionou. Ao escrever "Eu e o monstro", meu marido me revelou uma outra parte de mim, a imagem que eu sempre quis ver no espelho e que ele enxergou tão bem com sua "lente do amor". E foram outras inúmeras revelações feitas por parentes, amigos, desconhecidos, pessoas que também escrevem e que foram entrando no meu mundo...
Os comentários foram chegando e eu me viciando com esse relacionamento contagioso de "eu abro meu coração e vocês enchem de força". Cada nova postagem, uma espera ansiosa pelo ponto de vista de quem lê e depois de cada comentário, a surpresa em descobrir que mais gente se sente como eu, uma força gigantesca para vencer meus medos e obstáculos, descobrir novas partes de mim que eu não conhecia, fazer com que eu olhe para mim mesma e queira ser uma pessoa melhor, meu cenário todo iluminado por novos refletores, vindos de outros olhos. Eu no palco, fazendo meu monólogo, mas o mais importante: Os aplausos no final, aquele público que faz com que eu sente em frente ao computador e pense sobre quem eu sou e que impacto eu quero causar ao mundo.
Meus textos talvez não tenham o poder de mudar o mundo, mas seus comentários, com certeza, melhoram o meu. Pra que lapidar-me sozinha, se tenho a ajuda do mundo?

Lente do amor.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011



Para quem não leu o meu último texto, "Eu e o monstro", falei sobre minha insegurança e de como me sinto em vários momentos na minha vida, inclusive agora. Medo do que vem pela frente e sensação de ser uma pessoa fraca.
Nunca me enxerguei como uma mulher forte, na verdade me sinto bem pequena por diversas vezes, não só pelo fato de medir 1,53m, mas também por esse sentimento de ser minúscula diante dum mundo tão grande.
Meu marido lê meus textos, sempre que pode, antes de serem colocados no blog, e ele é meu leitor mais exigente, fala o que acha que não está bom, ou se sente falta de alguma explicação. Diria que ele é um ótimo controle de qualidade.
Quando ele leu meu texto essa semana e o quanto me sinto insegura, sua reação foi diferente, ficou pensativo e por fim disse:
-Está ótimo, mas não é verdade.- Sério e direto.
Eu precisei de um segundo, balancei a cabeça e perguntei:
-Como assim não é verdade? Eu me sinto assim, descrevi cada sentimento meu! Eu sou assim.
Mas ele discordou e começou a me dizer o que ele vê, meu portifólio de grandes feitos corajosos, para o qual nunca olhei. Começou me provando que não posso ser insegura, pois em uma briga sempre me agarro ao que eu sei e acredito. - Certo, sou boa de briga, mas não quer dizer que sou segura. - Depois mostrou-me o significado de ser uma pessoa insegura. - Uma pessoa insegura não tem onde se segurar, não sabe no que acreditar e não tem opiniões próprias formadas. - E então mudou minha vida, outra vez, dizendo o que jamais ouvi e enxerguei:
 - Amor, como você pode ser insegura se quando não tínhamos nada para nos segurar, nos seguramos em nós mesmos, no que sabíamos e acreditávamos, para que pudessemos convencer outros e vencer obstáculos? Quando não sabíamos como poderíamos nos ver novamente ou quando, você estava tão segura de si, que seus pais apoiaram. Não foram outras pessoas, foi você e sua segurança que nos trouxe aqui! Você sabia o que queria, nós juntos, os filhos, a casa... Você soube a hora de ir para o Brasil tentar e estava segura na hora de voltar para a Hungria. Eu, muitas vezes me seguro em você! Você sabe melhor que ninguém onde quer chegar e chega lá.
As palavras dele me calaram. Foram vários os exemplos, mas eu estava tão confusa... Senti uma emoção diferente, vontade de chorar e orgulho de mim mesma, como se ele estivesse me apresentando a um novo "eu". Seria eu essa pessoa forte de quem ele estava falando? Eu reconhecia os fatos, mas nunca vi aquela personagem, aquela heroína que ele enxergou desde o começo. Eu precisei de tempo para pensar em mim como aquilo tudo que ele me contou. E por que eu não me enxerguei assim nunca? Por que ainda é difícil enxergar?
Engraçado que a Carolina que ele apresentou foi a que sempre sonhei em ser. Fiquei pensando se ela realmente existe dentro de mim, se está esperando o momento que eu acredite nela para tomar seu lugar no meu espelho também, onde meus olhos também seriam hábeis para ver o que os do meu marido vêem há tanto tempo. E que revelação seria ver essa Carolina gigante, em contraste com a baixinha tímida que conheço...
As pessoas acham que conhecem a si mesmas, mas vem um olhar de fora, uma lente diferente, que vê além do que elas mesmas sentem, por baixo de roupas, pele, sentimentos e frustrações, a alma pura de como deveria ser se não estivessem ali os medos e todo o lixo que elas vão acumulando durante a vida, tudo de mal que falam delas e que acabam acreditando...
Pessoas de muita sorte as que tem um raio X como o meu, uma lente do amor, para levantá-las nos momentos de fraquezas e mostrar-lhes uma imagem revolucionária, alguém que nem elas e nem outros no mundo acreditariam que existe. Alguém que mostra o tipo de pessoa que você pode ser, se buscar aquilo que ele enxerga no fundo do seu lago turvo. Um ídolo de você mesma para seguir.
Obrigada amor, por enxergar minha alma. Em VOCÊ é que me seguro, minha fonte de força. E se sou tudo isso o que você vê, é possível somente por um motivo, por estar ao seu lado e ter, como força, o seu amor. Você me dá motivos para lutar e, com sua lente mágica, me mostra o tipo de pessoa que posso ser.

Eu e o monstro

sexta-feira, 29 de julho de 2011

É essa ansiedade que venho sentindo... Ela me persegue e fica em meu calcanhar, tentando me abocanhar, me puxa com suas mãos gosmentas, tirando meu sono e provocando tremores. Tento pensar em outra coisa, mas não dá, está ali: tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo, será que consigo fazer isso e aquilo? Por que não posso fazer tudo com calma e segurança? Será isso mais um produto da minha falta de auto-confiança? Com certeza!
Gostaria de me livrar desse monstro que me persegue(a falta de auto-confiança), me atrapalha demais e segura em muita coisa que quero fazer, põe obstáculos e os deixa de um tamanho assustador. Queria, por exemplo, dirigir. Mas e a confiança? Racionalmente eu sei que não vou sair por aí batendo e atropelando tudo, sei apertar o acelerador e sei  brecar, então qual o problema? Bom, o medo não é racional, quando me coloco atrás do volante vem um pânico repentino, que toma conta de todo o meu raciocínio, ele anestesia meu cérebro e por consequência sinto meus braços formigarem, meu coração se assusta e quer sair correndo pela minha boca, aos galopes, e para que ele não saia, engulo seco e respiro como alguém que está com falta de ar, eu começo a tremer e tenho vontade de chorar e sair correndo. Tudo isso antes mesmo de ligar o carro. Quando ligo, respiro fundo e olho dez vezes pra cada lado, sem tirar o pé do freio, e penso - Tenho que sair, tenho que sair, ai meu Deus, tenho que sair! - E saio quando meu marido fala mais duro: Vai!
 Por quê? Não sei, é assim. Meu marido tem me obrigado a dirigir as vezes, mas odeio! Ele tem fé de que um dia vou agir normalmente, que vou enxergar que o que está nas ruas são carros e não tanques de guerra e que ninguém vem pra bater em mim - todos fazem o possível para não fazê-lo - e que minha neurose vai sumir. Será? Até melhorei, acredite se quiser, antes eu realmente chorava, não só sentia vontade, e as vezes parava no meio de tudo, numa crise de pânico e tínhamos que trocar de lugar. Hoje em dia só penso em chorar e desistir, mas dirijo, é uma grande conquista, eu morro de medo, mas faço. Já cheguei a dirigir em viagem, mas quase petrifiquei meu braço de tão forte que segurei o volante e de tanta tensão. Não houve problemas, mas o pânico não me deixa ver que tudo está indo bem e posso relaxar. É como se um alienígena me roubasse a razão e eu viro um zumbi amedrontado, guiada pelo medo e não por mim. No entanto, não é só essa a causa das minhas ansiedades...
Ultimamente tenho outras razões, outros medos... Começar algo, uma carreira, as vezes me deixa em estado de êxtase, as vezes em pânico total. Algumas vezes estou super animada, outras com vontade de fugir do mundo... Queria tanto ser mais confiante! Eu sei que sou capaz, mas ao mesmo tempo tenho o medo de não ser. Meu marido não vê esse medo e não sei se é normal, talvez seja produto do desconhecido apenas, mas tento não parecer uma louca instável e procuro me segurar nos pontos em que acredito. E eu acredito que posso. Apenas esse medo insensato que não ouve que sou capaz, por mais que eu grite! Ficam as ondas de arrepios, os pensamentos ruins e eu chacoalho a cabeça e digo os prós, numa luta com o monstro alienígena. É uma briga difícil, vai se arrastando por todos os "rounds".
Lembrei-me de quando comecei a escrever no blog. A primeira vez que exponho meus medos e angústias, sonhos e besteiras, tudo o que faz parte de mim, para o mundo poder julgar. Preparei-me para ouvir coisas que não me deixariam feliz, mas elas não vieram. Lembrei daquelas horas que deixei meu texto esperando antes de colocá-lo na net, com o mouse preparado em "postar"... eu imaginei o rosto de cada pessoa que poderia ler o texto e meu rosto ficou vermelho umas mil vezes naquele dia, mas nada de ruim aconteceu. Depois daquela postagem, daquela ansiedade, tudo o que veio foram frases tão boas que só me empurraram para um novo texto e toda semana o mesmo acontecia, empurrando-me para a auto-confiança no que eu faço. Hoje não tenho medo. Sei que tenho o que melhorar, mas sei que assim mesmo muita gente irá me ajudar, seja nos momentos difíceis, seja nos felizes, vou ler o combustível da minha inspiração, os comentários de amigos velhos e novos e até de desconhecidos que nem imaginam o bem que me fazem, o quanto representa a força das suas palavras para essa insegura aspirante a escritora.
Enfrentar a situação é o melhor jeito de sair dela e o único jeito de sair ganhando. Se você não entra no jogo, perde por W.O.. O monstro da ansiedade só pode ser derrotado passando por ele, no meu caso ele sempre está lá, entre mim e o objetivo e não posso dar meia volta, não costumo dar. Sou insegura, mas terrivelmente teimosa e não aceito perder tão fácil. Uma combinação sofrida, mas que já deu muitos resultados. Mais uma vez enfrentar um monstro, mais uma vez só conseguir dormir tarde da noite após desmaiar enquanto leio um livro... E será mais uma vez que chego onde eu quero? Que comece a luta para sabermos quem ganha...

O silêncio cala.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sons, música, barulho, movimentos...
                Não sei qual foi o momento em que perdi minha musicalidade. Música pra mim era como o ar, eu ouvia, cantava e dançava o tempo todo e sofria terrivelmente quando ficava rouca, por não poder cantar direito, o que não me impedia de cantar daquele jeito mesmo, e por isso ficava semanas para sarar de uma rouquidão, era simplesmente impossível fechar a boca e não cantar. Minha vóz, em geral era rouca e eu já havia aceitado isso como fato "tenho uma vóz rouca", mas na verdade, eu estava com uma rouquidão persistente e constante pelo simples fato de não deixar minha garganta descansar.
                Quando eu estava triste,  o que na minha adolescência era bem comum, pelo fato de sofrer o tempo todo por não achar meu verdadeiro amor, minha metade, alma gêmea...- pois é, eu era bem dramática, vivia com intensidade todos meus sentimentos - então ouvia músicas românticas e dilacerava-me com as palavras e a melodia, chorava horrores e cantava com todo o meu coração, e garganta, é claro. Mas meus sentimentos passavam muito rápido da alegria para tristeza e vice-versa, certos momentos do meu dia eram cheios de samba e música de carnaval, quando eu dançava e cantava vendo o mundo todo colorido. Outros momentos eram preenchidos com Rock do estilo Iron Maiden, Angra, Ozzy, Helloween... e esses variavam entre momentos felizes e dançantes e acessos de raiva e brigas com os pais, nessas horas eram muito úteis, pois eles gritavam por mim, e gritavam, e gritavam, até me acalmar. Será que mais alguma pessoa no mundo já usou rock para se acalmar? Acho que isso era loucura minha.
                Em resumo, meus sentimentos, meus dias, minha existência era plena de música.
                Agora não ouço mais, não danço, não canto e não estou feliz por isso. Sinto falta do instinto natural de cantar, não está mais em mim e mesmo querendo, parece um esforço, não é nada natural abrir a boca e começar uma canção, um ato quase que cansativo. Será que isso é como um exercicio diário? Precisa de esforço para recomeçar? Um vício que eu perdi?
                Sei que minha quebra com o excesso de som aconteceu por ter vindo para a Hungria. A Hungria é um lugar calmo e muito relaxante, não tem carros de som pelas ruas e os carros normais também não costumam ouvir música numa altura para que as pessoas que estão fora do carro ouçam, nem pra avisar que estão chegando. O trânsito não tem volume alto, não buzinam tanto, não gritam no seu ouvido para anunciar ofertas, não colocam palhaços num alto falante na rua e nem mesmo se vê muitos bares de karaokê. É bem relaxante sair ao sol num dia de primavera e curtir o barulho da natureza e das crianças brincando... mesmo no centro da cidade, o barulho da calma. Uma delícia para se ler um livro, ou se concentrar num trabalho. Alguns sentam em um café com seu laptop para trabalhar tranquilamente, é inspirador. Você ouve o barulho da vida, das coisas acontecendo e as vezes o som de um violão tocando, ou uma harmônica, como nos filmes em que aparece paisagens de cidades européias, eu achava que era apenas trilha sonora, mas por aqui tem mesmo aquele som, ou até mais tranquilo que isso. Quando estamos no inverno é possivel ouvir-se o som do silêncio, quase que possivel ouvir os cristais de floco de neve caindo lentamente e tilintando. Quando neva os carros não saem de casa, muita gente teme que os pneus escorreguem e o carro perca o controle, então as ruas ficam muito calmas, somente pessoas andando, mães com seus bebês pequenos nas portas das casas, mostrando-lhes os primeiros flocos de suas vidas e a consistência da neve, nem um som além das botas de neve amassando o gelo fofo, fazendo um barulho único, difícil de explicar a quem nunca ouviu, mas mais ou menos o barulho que faz uma raspadinha assim que vc enfia o canudinho, um som bem sutil, mas que nesse grande silêncio se torna alto e perceptível. O Frio cala ainda mais as pessoas, que andam com seus cachecóis enrolados do pescoco até o nariz.
                Já no Brasil tudo é música, tudo é som e rítmo, as pessoas falam alto, riem alto, cantam nas ruas, assoviam e cantarolam notas sem parar, um som se mistura ao outro e um centro de cidade sempre tem um zum zum zum, fora as músicas que vem das lojas, as pessoas fazem propaganda em microfones, carros com aparelhos de som que ocupam todo o porta mala, para não ter dúvidas, já que no tumultuo alguém pode não ouvir a música que eles estão ouvindo... uma bagunça de sons, rítmos, conversas, risos e anúncios em um zumbido que nunca acaba. Um pouco estressante, mas posso dizer que animador. Rítmo em tudo que se vê, pura musicalidade. E para quem nasceu no meio desse barulho, apenas um lugar seguro para fazer seu próprio barulhinho, assoviar, cantarolar, na rua, em casa ou em qualquer lugar que dê vontade...
                Costumava cantar dentro do ônibus junto com minha prima, na faculdade com minha melhor amiga, em casa por todos os cantos sozinha e é claro, em muitos karaokês.
                Dentro de casa sempre havia um som, um disco tocando ou mesmo minha mãe cantando enquanto preparava a comida. Até meu irmão, considerado uma pessoa muito calada para os padrões de um brasileiro, soltava sua vóz num incrível dueto com Freddie Mercury, uma reação completamente normal e cotidiana, que nem me chamava a atenção. O simples fato de lembrar do meu irmão cumprimentando seus amigos com música "Plaster..." e a resposta "caster", agora me faz pensar o quão musical era tudo.
                Cheguei a pensar se seria por causa da adolecência, quando se é adolecente a música tem muito sentido em tudo o que se faz, mas depois penso em minha mãe cantando e todos os dias da minha vida em que ouvi seus discos dos Beatles, Simon and Garfunkel, Elton John, entre outros clássicos, e se torna claro pra mim que eu fui a única que perdi a musicalidade. Como podia eu cantar no silêncio de uma casa, onde morava junto com minha sogra, que mal conhecia na época? Cantei muito tempo em pensamentos, repassava as músicas que sabia na cabeça e fazia um enorme esforço para não abrir minha boca. O que as pessoas iam pensar de uma única pessoa cantando feito doida nas ruas, ou mesmo cantarolando algumas notas? Fui engolida pelo silêncio relaxante, que continuo achando uma maravilha a maioria do tempo, mas que calou minhas músicas e tirou meu instinto de cantar.
                Agora tenho minha própria casa e minhas duas crianças que pedem para que eu cante todos os dias antes de dormir, o que costumo fazer com prazer, mas tenho certeza que eles não se importariam que eu cantasse durante o dia e eu queria que eles conhecessem esse mundo musical em que vivi, porém estou muda. Me falta o rítmo, me dói a garganta e cansa, cansa muito. Só há um jeito de fazer voltar meu "eu cantora", forçá-lo  a aparecer e como numa amizade nova, convidá-lo sempre que tiver oportunidade, até que se sinta a vontade e apareça a hora que bem entende. Meu "eu cantora" é um estranho, com quem devo reatar relações.

Férias nos Alpes Austríacos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Depois de uma despedida e um ou dois dias abaixo da média da minha boa vontade, aparece minha salvação: Uma viagem em família!
Decidimos ir até os alpes austríacos, numa viagem que fizemos há 2 anos e gostamos muito.
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