O circo que caiu...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Na sexta-feria passada fomos ao circo porque tínhamos ganhado descontos. O circo era simples, pequeno, não demos muito crédito a ele antes de entrar, porém sua lona não parecia muito velha, estava arumadinha, o picadeiro era como um palco, um pouco mais alto e também pequeno. Nós sentamos em cadeiras, dessas de plástico branco. Sabia que o tamanho do circo não importava pras crianças e que iriam gostar de qualquer "showzinho" que mostrassem.

Pediatria na Hungria

terça-feira, 20 de setembro de 2011


Aqui na Hungria os hospitais e a maioria dos consultórios são pelo plano do governo, é muito raro encontrar médico particular e as pessoas não costumam frequentar particular, já que o do governo é bom, talvez a única diferença seja a decoração, que é mais caprichada, já que a própria pessoa escolhe, mas pra que pagar, quando você já paga o imposto e tem bons serviços por isso?
A escolha de um profissional normalmente é feita pelo local da sua residência, mas você até pode escolher outro, se quiser. Eu, como não conhecia nenhum pediatra, pedi ajuda, mais uma vez, ao meu anjinho que me salvou de todas na gravidez, minha Protetora, que é quem realiza vários exames na época da gravidez e da todos os conselhos após o parto, indo te visitar de tempos em tempos logo que o nenê nasce para ajudar e avaliar o bem estar da criança. Ela indicou a pediatra com quem trabalha junto e coincidentemente, é da minha região.
A primeira consulta foi feita em casa e fiquei muito impressionada em saber que a médica é que vinha nos visitar. Só um mês depois fui ao consultório e mesmo assim, tem um dia especial só para bebês RN que vão pesar e fazer exames de rotina, para não misturar com os doentinhos. Adorei isso!
Nossa pediatra é muito boa, gosto muito dela, mas no começo ela me assustava um pouco, pois qualquer coisinha mandava a gente para um profissional e eu ficava estressada achando que era grave. Depois me acostumei  e vi que é o jeito dela de garantir que tudo esteja correndo perfeitamente bem com a criança. Em alguns casos, assim que eu me assustava com a médica, minha protetora, que é mais mãezona de coração mesmo, vinha atrás de mim depois da consulta e dizia que era normal, contava exemplos e me acalmava. Na verdade corro mais pra minha protetora que para a pediatra. Ela normalmente me acalma em horas de apuro e sempre tem dicas de mãe para dar. Médico é aquilo, quando da um problema vem antibiótico e remédios, que eu não gosto muito, então só levo ao médico em caso de precisar mesmo, ou para tomar vacinas.
Hoje em dia temos uma relação bem amiga com a médica e toda equipe, o que me faz sentir muito bem, não trocaria essa equipe por nada. Quando pensamos em nos mudar para o Brasil, uns anos atrás(coisa que só durou 8 meses lá e não deu certo) fui numa última consulta com ela para ver se estava tudo certo e se meus filhos já tinham todas as vacinas obrigatórias no Brasil e nossa despedida foi bem triste, ela quase que chorou e nós também. Uma das coisas boas de não ter ficado no Brasil é essa assistência que temos aqui, pois chegamos a ligar do Brasil para cá perguntando o que fazer. É muito bom confiar numa equipe.
Algumas vezes sinto que sempre vivi aqui na Hungria, no Brasil estava totalmente perdida quanto a médicos. Aqui eu nasci como mãe e, nesse território, me sinto totalmente em casa. Aprovo e  gosto muito dos profissionais que frequentamos.




A vida num filme

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Sol vai caindo no horizonte. Daqui do parque, no meio das montanhas, eu só vejo sua luz extremamente amarela, banhando toda paisagem de dourado, tornando visíveis teias de aranhas e pequenos flocos de poeira, que pairam sorrateiros pelo ar. As árvores brilham, disfarçando seus galhos e troncos opacos e do escorregador eu só vejo a silhueta escura. A paisagem lembra algum filme de fantasia, onde vivem duendes e animais mágicos, como um unicórnio, que combinaria muito aqui se saísse do meio da floresta que beira o parque. A Hungria e seu ar de magia, que de tempos em tempos nos remetem a tempos antigos, nos traz pessoas queridas, nos leva a lugares mágicos... Será que todos enxergam isso? Será que alguém, além de mim, olha além da paisagem concreta e viaja no tempo?

Apenas um carinho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Hoje acordei com todos os problemas: dor de estômago, mal estar, dor de cabeça(tem coisa pior que abrir os olhos de manhã já com dor de cabeça?). Meus dois filhos vieram imediatamente pedir seu café da manhã, que fiz com grande sacrifício, pois minha vontade era ficar encolhidinha na cama, sem me mexer até tudo passar...
Odeio remédios! Creio ter puxado isso do meu avô, que também só tomava algo quando não tinha jeito mesmo, ele batia no peito e dizia:
 - Tô bom! Não precisa de remédio, me faz uma água com limão que isso passa...- Meu avô resolvia tudo com água com limão.

Os borrões do tempo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ontem, ao anoitecer, andamos um pouco pela cidade, havia uma brisa fresca e passamos por uma rua estreita, antiga, feita de paralelepípedos escuros, a imagem da Europa dos filmes antigos e românticos... Parei e fiquei ali olhando um pouquinho, pensando, sentindo a brisa no rosto e o cheiro da noite. Adoro passar por ruas assim! Da um tipo de saudade de algo que não vive - ou talvez tenha vivido em outra vida, daí o motivo da saudade - mas que me traz muita tranquilidade. Passar por lugares assim me faz pensar num mundo bem mais lento, onde as pessoas andavam, não corriam, onde os detalhes eram importantes, e isso a gente percebe nas casas com estatuetas e enfeites por volta de todas as janelas, uma verdadeira obra de arte. Uma casa, até das mais simples, tinha detalhes e cuidados quando feita, tinha bases fortes e paredes muito largas, eram pensadas para durar para sempre, resistir guerras e gerações. Se essa saudade vem de uma outra vida, eu devia ter gostado muito de vivê-la, pois esse sentimento de tranquilidade me invade ao passar num lugar assim.

Eu e o Clube das mães e pais blogueiros.

domingo, 28 de agosto de 2011

Essa semana não saiu o texto da sexta-feira, sim, erro, eu sei. Sei que tem gente que foi procurar e não achou e estou aqui torcendo para que voltem a procurar, pois não desisti do meu blog, é aqui que descarrego minhas emoções e é assim que vai continuar, meu cantinho do desabafo...

O motivo da falta de texto e de tempo é que eu estou abrindo um outro site, junto com minha amiga Daniela, o Clube das mães e pais blogueiros.

O Clube é um projeto que está se tornando realidade nessa semana, mas que vem nos dando trabalho já há um bom tempo. Foram muitas pesquisas, planejamentos, estudos, dúvidas em como resolver isso ou aquilo, aperto no coração, horas de sono perdidas, coração disparando, entusiasmo...
Nosso Clube é feito especialmente para mães e pais que tem blogs, pois queríamos muito crescer e ajudar outras pessoas no crescimento também. Vindo do princípio que pais e mães se preocupam com o futuro de seus filhos e, por consequência, o do mundo também, criamos esse espaço para trocas de informação e experiências, visando um aprendizado em conjunto.
Desde que entrei para esse grupo de "blogueira", venho aprendendo muita coisa. Aqui as pessoas crescem se ajudando, não pisando na cabeça um do outro. Você não ganha ponto com outros blogs tentando acabar com seu concorrente e sim lendo e comentando o que eles escrevem, não se trata de concorrência e sim de amparo. Você comenta, lê, indica e da mesma forma é indicado, aqui reina a simpatia e o jogo limpo. Não seria legal se o ser humano se inspirasse nesse novo mundo da internet para fazer todo o resto também? Não seria possível finalmente crescer com a paz e não a guerra? De repente me deparo com uma comunidade que dá certo, um sistema que funciona baseado em fazer o bem ao outro, mesmo que esse bem seja um recadinho simples de "Gostei do seu post.". Eu comecei a escrever esperando críticas e competitividade de pessoas, dizendo que eu não escrevo tão bem quanto elas, por exemplo, mas foi porque eu não conhecia esse mundo.
E é por esse mundo que estamos nos reunindo e ficando mais fortes. Posso não conseguir salvá-lo, mas estou fazendo minha parte, juntando-me e dando força ao que acredito ser bom. Por que passar pela vida de forma indiferente, se posso "bater uma asa" aqui e mudar a opinião de alguém na China? Quero ampliar meus horizontes e quero que minhas palavras encontrem pessoas que fazem diferença, mostrar esse jeito de pensar, essa atitude, um sorriso pela manhã ao invés de um grito com o filho...
E você, quer fazer parte do nosso Clube? Venha nos visitar: http://maesepaisblogueiros.com/. Aqui quem cresce são os pais!
"A mão que balança o berço é a mesma que governa o mundo" W R Wallace.

MEU Pai

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A palavra "pai" desperta muitos sentimentos diferentes de pessoa para pessoa, pois tem vários tipos de pais, os que são presentes, os que são ausentes, os rígidos, os que são amigos, os certinhos e os atrapalhados... Um pouco atrasada, vou falar do MEU. E a primeira coisa a dizer é que sei que ele não vai se importar de ler isso somente uma semana depois do dia dos pais.
Semana passada liguei pelo skype para dizer-lhe feliz dia dos pais e lhe disse assim, simples, com entusiasmo e carinho, mas simples: "Feliz dia dos pais!". Senti que não foi tudo o que eu gostaria de lhe dizer, mas sou melhor com palavras escritas do que faladas. Se eu tentasse falar sobre meu amor por ele e a gratidão que tenho por ser sua filha, eu iria chorar e não sairia muita coisa. Para completar, foi ele quem me fez uma declaração, falou que meus textos são lindos, que os emociona... para isso também não respondi muita coisa, ficou entalado na minha garganta, enroscou no nó e não saiu nada, não saiu nem o "Eu te amo", muito menos todo o resto que ficou lá dentro: meu coração que batia apressado, as lágrimas que se escondiam fazendo força para não sair, minha mão que tremia, a saudade e a vontade de abraçá-lo...
Registro aqui em palavras então, que muitas vezes o que eu demonstro é a pontinha do "iceberg" de sentimentos que se esconde em mim.
Meu pai quando eu era criança: Ele era aquele por quem eu tinha adoração, que eu vivia pendurada no pescoço, que se trancava com a gente no quarto e ficava brincando, contando estórias e nos fazendo rir muito com as vozes que fazia imitando cada personagem... No sítio da minha avó soltávamos pipa, pulávamos corda, pescávamos... Era meu pai barbudo. Eu devia ser muito pequena, porque nem lembro de meu irmão por perto quando aconteceu, mas lembro-me de ter ficado muito zangada com ele por ter cortado sua barba, não queria que ele chegasse perto de mim, queria meu pai barbudo... Crianças podem ser crueis. Lembro-me claramente da revolta por ele ter tirado a barba que eu gostava tanto... E ele tentava me convencer que ele era o mesmo, com um leve sorriso, pois estava achando engraçado eu gostar tanto da barba.
Meu pai na adolescência: Continuava sendo aquele em quem eu me pendurava no pescoço, porém com muitas brigas nos intervalos. Como pai coruja, era difícil convencê-lo de que eu precisaria ir a discoteca, paquerar, namorar... Meu gênio de adolescente já batia um pouco com o dele. Mas ele tinha toda a razão, hoje eu vejo, ele não era quadrado, ele me ajudou a chegar aqui. Eu aproveitei bem discotecas e saídas com amigas, apenas o fiz com moderação e muita bajulação para conseguir um sim... O que mais me impressiona é que ele disse "não" muitas vezes, para muitas coisas, em geral o que não tinha importância para meu futuro, mas conseguiu enxergar atravéz do meu coração quando realmente precisei de um "sim". Quando muitos pais mais liberais que o meu diriam "não", quando pedi para vir para a Hungria com um cara que conheci há um mês e muitos diziam a ele que era loucura deixar a filha ir, ele sabia, ele tinha certeza do seu sim, ele enxergou nos meus olhos e sentiu que era o certo. E era mesmo, graças a ele, eu hoje sou muito feliz e tenho a certeza que encontrei a metade que me faltava. Ele soube me guardar e cuidar, para entregar nas mãos da pessoa certa. Eu só espero enxergar através dos olhos dos meus filhos da mesma maneira, quando chegar essa hora.
Meu pai de sempre: Ele é uma pessoa justa, honesta, que preferiu muitas vezes lutar a pegar o caminho mais curto fazendo o que era errado. Nos deu exemplos de como uma pessoa deve agir e vencer sendo admirado pelas pessoas e não pisando nelas. Lutou muito na vida desde sua infância de menino pobre - que tem histórias que nos faz rir muito, mas que sei que na realidade não foram tão engraçadas - até chegar onde está hoje, respeitado e com muitos amigos. Um pai que é a imagem que olhamos quando pensamos no que seria a coisa certa para se fazer.
Meu pai, eu poderia escrever um livro sobre você, quem sabe você deva escrevê-lo, não é mesmo? Já que esse também é um dom que você tem.
Vou terminar escrevendo o que eu deveria ter dito na semana passada: Obrigada por tudo. Pela imagem de homem de bem, pelo zelo e sabedoria na hora de nos dizer "não", pelo carinho e muitos risos que nos proporcionou sempre, pelo amor que sempre deixou claro, por ser tão presente e indispensável a nossas vidas. Te amo muito e só estou aqui e feliz por você ter sido MEU PAI.
Feliz dia dos pais, mais uma vez.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...