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Tique-taques

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

 
Tirei férias de mim mesma, de escrever, de ser adulta e mãe o tempo todo... Recebi a visita da minha mãe e voltei a ser filha, no breve e valioso tempo contado de sua presença. Foram três semanas de mimos intensos, de conversas longas com a melhor amiga, que ela sempre foi, filmes e séries que sempre adoramos ver juntas, passeios, cafés, risos, confissões, conselhos...  

Assim que ela saiu pela porta da frente, um vazio imenso tomou conta da casa, tomou conta de mim. Coloquei-me a pensar no azar de viver longe dos meus pais, da minha família toda, e o dia todo se escureceu.
Despedida. Lágrimas. Solidão. Eu e o relógio.

A presença

sexta-feira, 8 de novembro de 2013


Milhões de coisas na cabeça e, ao mesmo tempo, nada... Nada que fosse um assunto ou história pra contar. Só comentários, olhares e toques que ficam guardados enquanto você não está por perto... Fantasmas que me seguem no castelo assombrado que sobrou de mim.

Sonhos de insônia

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


foto de http://www.gwoltal.myfastmail.com/files/Dreams%20Book

De malas fechadas e espírito alvoroçado, preparo-me para mais uma viagem de volta às raízes.

Há um ano atrás eu fazia o mesmo percurso até o Brasil, porém com pouco menos ansiedade que hoje. Essa ansiedade não se encontra no medo de avião, ou nas vinte e quatro horas de correria, de casa ao aeroporto, de um aeroporto a outro, depois mais outro e novamente de carro até em casa, tudo com duas crianças para acompanhar - hoje ainda tem o marido de quebra, para tranquilizar. Não é isso que me tira o sono e faz pensar de madrugada, quando o som do resto do mundo é menor que os da minha cabeça e qualquer pensamento transforma-se em altos gritos para me alertar. Dessa vez, gritam esperanças de um começo, de uma estréia.

Quando as palavras calam e os dedos falam.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Faz algum tempo que percebi que sou boa para escrever palavras e péssima para emití-las sonoramente. Coisa desagradável, já que a maior prova disso foi meu discurso de casamento, onde não consegui expressar absolutamente nada dos grandes textos preparados na minha cabeça, ficou totalmente bobo. De alguma forma, meus melhores discursos saem pelos dedos e não pela boca.

Parei pra pensar em como funciono nesse sentido e é bem interessante (ou diria estranho?). Eu sento na frente do computador sem nada montado na cabeça, sei apenas o tema e as vezes nem isso, coloco meus dedos no teclado e eles começam a falar. Saem as frases, saem as teorias, os sonhos e eu sempre me surpreendo com o final. Meus dedos falam muito bem.

O silêncio cala.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sons, música, barulho, movimentos...
                Não sei qual foi o momento em que perdi minha musicalidade. Música pra mim era como o ar, eu ouvia, cantava e dançava o tempo todo e sofria terrivelmente quando ficava rouca, por não poder cantar direito, o que não me impedia de cantar daquele jeito mesmo, e por isso ficava semanas para sarar de uma rouquidão, era simplesmente impossível fechar a boca e não cantar. Minha vóz, em geral era rouca e eu já havia aceitado isso como fato "tenho uma vóz rouca", mas na verdade, eu estava com uma rouquidão persistente e constante pelo simples fato de não deixar minha garganta descansar.
                Quando eu estava triste,  o que na minha adolescência era bem comum, pelo fato de sofrer o tempo todo por não achar meu verdadeiro amor, minha metade, alma gêmea...- pois é, eu era bem dramática, vivia com intensidade todos meus sentimentos - então ouvia músicas românticas e dilacerava-me com as palavras e a melodia, chorava horrores e cantava com todo o meu coração, e garganta, é claro. Mas meus sentimentos passavam muito rápido da alegria para tristeza e vice-versa, certos momentos do meu dia eram cheios de samba e música de carnaval, quando eu dançava e cantava vendo o mundo todo colorido. Outros momentos eram preenchidos com Rock do estilo Iron Maiden, Angra, Ozzy, Helloween... e esses variavam entre momentos felizes e dançantes e acessos de raiva e brigas com os pais, nessas horas eram muito úteis, pois eles gritavam por mim, e gritavam, e gritavam, até me acalmar. Será que mais alguma pessoa no mundo já usou rock para se acalmar? Acho que isso era loucura minha.
                Em resumo, meus sentimentos, meus dias, minha existência era plena de música.
                Agora não ouço mais, não danço, não canto e não estou feliz por isso. Sinto falta do instinto natural de cantar, não está mais em mim e mesmo querendo, parece um esforço, não é nada natural abrir a boca e começar uma canção, um ato quase que cansativo. Será que isso é como um exercicio diário? Precisa de esforço para recomeçar? Um vício que eu perdi?
                Sei que minha quebra com o excesso de som aconteceu por ter vindo para a Hungria. A Hungria é um lugar calmo e muito relaxante, não tem carros de som pelas ruas e os carros normais também não costumam ouvir música numa altura para que as pessoas que estão fora do carro ouçam, nem pra avisar que estão chegando. O trânsito não tem volume alto, não buzinam tanto, não gritam no seu ouvido para anunciar ofertas, não colocam palhaços num alto falante na rua e nem mesmo se vê muitos bares de karaokê. É bem relaxante sair ao sol num dia de primavera e curtir o barulho da natureza e das crianças brincando... mesmo no centro da cidade, o barulho da calma. Uma delícia para se ler um livro, ou se concentrar num trabalho. Alguns sentam em um café com seu laptop para trabalhar tranquilamente, é inspirador. Você ouve o barulho da vida, das coisas acontecendo e as vezes o som de um violão tocando, ou uma harmônica, como nos filmes em que aparece paisagens de cidades européias, eu achava que era apenas trilha sonora, mas por aqui tem mesmo aquele som, ou até mais tranquilo que isso. Quando estamos no inverno é possivel ouvir-se o som do silêncio, quase que possivel ouvir os cristais de floco de neve caindo lentamente e tilintando. Quando neva os carros não saem de casa, muita gente teme que os pneus escorreguem e o carro perca o controle, então as ruas ficam muito calmas, somente pessoas andando, mães com seus bebês pequenos nas portas das casas, mostrando-lhes os primeiros flocos de suas vidas e a consistência da neve, nem um som além das botas de neve amassando o gelo fofo, fazendo um barulho único, difícil de explicar a quem nunca ouviu, mas mais ou menos o barulho que faz uma raspadinha assim que vc enfia o canudinho, um som bem sutil, mas que nesse grande silêncio se torna alto e perceptível. O Frio cala ainda mais as pessoas, que andam com seus cachecóis enrolados do pescoco até o nariz.
                Já no Brasil tudo é música, tudo é som e rítmo, as pessoas falam alto, riem alto, cantam nas ruas, assoviam e cantarolam notas sem parar, um som se mistura ao outro e um centro de cidade sempre tem um zum zum zum, fora as músicas que vem das lojas, as pessoas fazem propaganda em microfones, carros com aparelhos de som que ocupam todo o porta mala, para não ter dúvidas, já que no tumultuo alguém pode não ouvir a música que eles estão ouvindo... uma bagunça de sons, rítmos, conversas, risos e anúncios em um zumbido que nunca acaba. Um pouco estressante, mas posso dizer que animador. Rítmo em tudo que se vê, pura musicalidade. E para quem nasceu no meio desse barulho, apenas um lugar seguro para fazer seu próprio barulhinho, assoviar, cantarolar, na rua, em casa ou em qualquer lugar que dê vontade...
                Costumava cantar dentro do ônibus junto com minha prima, na faculdade com minha melhor amiga, em casa por todos os cantos sozinha e é claro, em muitos karaokês.
                Dentro de casa sempre havia um som, um disco tocando ou mesmo minha mãe cantando enquanto preparava a comida. Até meu irmão, considerado uma pessoa muito calada para os padrões de um brasileiro, soltava sua vóz num incrível dueto com Freddie Mercury, uma reação completamente normal e cotidiana, que nem me chamava a atenção. O simples fato de lembrar do meu irmão cumprimentando seus amigos com música "Plaster..." e a resposta "caster", agora me faz pensar o quão musical era tudo.
                Cheguei a pensar se seria por causa da adolecência, quando se é adolecente a música tem muito sentido em tudo o que se faz, mas depois penso em minha mãe cantando e todos os dias da minha vida em que ouvi seus discos dos Beatles, Simon and Garfunkel, Elton John, entre outros clássicos, e se torna claro pra mim que eu fui a única que perdi a musicalidade. Como podia eu cantar no silêncio de uma casa, onde morava junto com minha sogra, que mal conhecia na época? Cantei muito tempo em pensamentos, repassava as músicas que sabia na cabeça e fazia um enorme esforço para não abrir minha boca. O que as pessoas iam pensar de uma única pessoa cantando feito doida nas ruas, ou mesmo cantarolando algumas notas? Fui engolida pelo silêncio relaxante, que continuo achando uma maravilha a maioria do tempo, mas que calou minhas músicas e tirou meu instinto de cantar.
                Agora tenho minha própria casa e minhas duas crianças que pedem para que eu cante todos os dias antes de dormir, o que costumo fazer com prazer, mas tenho certeza que eles não se importariam que eu cantasse durante o dia e eu queria que eles conhecessem esse mundo musical em que vivi, porém estou muda. Me falta o rítmo, me dói a garganta e cansa, cansa muito. Só há um jeito de fazer voltar meu "eu cantora", forçá-lo  a aparecer e como numa amizade nova, convidá-lo sempre que tiver oportunidade, até que se sinta a vontade e apareça a hora que bem entende. Meu "eu cantora" é um estranho, com quem devo reatar relações.
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